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O QUE OS CATÓLICOS SÉRIOS DEVERIAM SABER SOBRE A CMRI

Por Stephen Heiner, True Restoration



Não há uma Wikipedia para o catolicismo tradicional. É preciso aprender as coisas com o tempo por várias fontes e, ainda assim, é depois preciso combater a malformação generalizada das mentes humanas, o generalizado desrespeito pelo clero, e a frequente falha de reconhecer o lugar do leigo na subordinação a esse mesmo clero. Chegar a uma maneira de pensar e agir, que seja propriamente e em todo momento cristã, é algo que exige um longo processo e que muitos de nós nunca poderemos alcançar plenamente nesta vida.


Eu não cheguei à posição non una cum de imediato. Minha jornada de dez anos na posição da FSSPX ("reconhecer e resistir") ao sedevacantismo demorou mais ou menos dois anos, mas seriam outros dois antes de eu parar de assistir as missas da FSSPX em Kansas City, onde eu morava. 


Isso foi em parte devido ao meu apego emocional aos sacramentos, mas também porque haviam vozes clericais me dizendo que a assistência à tais missas era permitida. Uma dessas vozes era o Bispo Mark Pivarunas, da CMRI.


Em 2011, retornando de uma ordenação da CMRI em Spokane, na qual eu compareci, eu encontrei com Sua Excelência no aeroporto, e no curso de uma breve discussão eu revelei, um pouco envergonhado, que eu participei de uma Missa na FSSPX. Ao invés de repreender o que fiz, o bispo simplesmente disse algo como "o que você pode fazer?" e me disse que ele entendia. 


Para que minha anedota não seja marginalizada como permitida em meu caso particular mas contrária à regra em si, eis aqui um documento público em que o Bispo Pivarunas defende a frequência em Missas una cum como legítima e permissível em si mesma. 

Assistência à uma Missa una cum é uma participação objetiva no Novus Ordo modernista. Simplesmente não há como fugir disso. 


A CMRI reconhece que Bergoglio e seus predecessores [João XXIII a Bento XVI] claramente não são vigários de Cristo, mas sim inimigos de Deus e de Sua Igreja. Todavia, a CMRI permite e, em alguns casos, encoraja pessoas a participarem de Missas que o nomeiam no Canon. 


Tendo crescido num meio Novus Ordo conservador, lembro-me ainda do meu pai ocasionalmente nos dizendo, sentido, que "o que o Padre disse hoje não estava correto". Será que os pais que participam de Missas una cum desejam minar a autoridade clerical na cabeça e no coração de seus filhos quando eles também tiverem de "corrigir" as palavras do Padre no caminho de volta da Missa? Consigo até imaginar a conversa, "Papai, o que o Padre quis dizer no sermão quando ele disse que nós temos o dever de resistir a 'Roma' e ao Papa? Eu pensei que não havia um Papa". Da boca das crianças...


A frouxidão da CMRI nessa questão é ainda mais problemática quando combinada com sua permissividade na criação de tribunais de nulidade matrimonial. A FSSPX se envolveu nesse vexame por anos, mas é bem conhecido que, há tempos, alguns sacerdotes da CMRI tomam para si o direito de julgar os casos matrimoniais. Mas isto é algo que cai diretamente sob as funções legais da Igreja e não cai sob a epikeia. Ninguém atualmente possui a autoridade para emitir juízos nesses casos matrimoniais e, portanto, o melhor que o nosso clero pode fazer é investigar para dar às pessoas algum sentido de probabilidade, mas nada mais do que isso. 


De qualquer forma, o fato de que mesmo em 1968 houve apenas 338 anulações para todos os Estados Unidos naquele ano deve nos dar o contexto adequado sobre isso. 

Na nossa infeliz situação, há uma solução mais fácil e efetiva dessas pessoas resolverem seus dilemas conjugais: abstinência e castidade. Não se deve arriscar um "recasamento" se o casamento "passado" for duvidoso ou provavelmente inválido. 


Há posições que a CMRI sustenta que são legítimas divergências com outros Católicos. Por exemplo, eles observam a nova Semana Santa, que se assemelha muito com a Semana Santa usada pelo Novus Ordo (porque Bugnini e seus comparsas usaram a Semana Santa como um teste para o resto do missal). Quando Pio XII aprovou as mudanças, era parte de algo provisório, não destinado para ser permanente. 


A CMRI argumenta que foi um ato válido de um legislador válido e nesse caso eles têm razão. A Semana Santa reformada é um rito Católico e se pode participar dele em boa consciência. 


Todavia, aqueles de nós que estudaram o assunto ou que leram o trabalho magistral do Pe. Anthony Cekada sobre o Novus Ordo Missae, não podem ignorar o que agora sabem em retrospectiva: esta Semana Santa foi o princípio do fim da Fé católica para milhões e, portanto, se pode argumentar razoavelmente que dadas as intenções e os resultados dessa reformas, a opção mais segura de um católico está na liturgia inalterada. Uma vez que os mesmos princípios litúrgicos e doutrinais incorretos estão em operação na Nova Semana Santa assim como estão na Missa Nova, por que aceitar o princípio enquanto repudia o fim? 


Tendo dito isso, o assunto continua sendo sujeito à disputas. Tanto a CMRI como o clero do outro lado do debate têm argumentos razoáveis e coerentes sobre o tema da Semana Santa. Esta questão será resolvida pela Igreja, assim que acontecer a restauração que tanto esperamos embora sejamos indignos de presenciar. 


Contudo, estaria a assistência à uma Missa em que se nomeia a um herege no Cânon susceptível ao mesmo nível de disputa que a matéria da Semana Santa? Poderíamos nos lembrar do exemplo da Igreja na França durante a revolução. O Papa Pio VI disse que as hóstias consagradas por padres juramentados (aqueles que prestaram juramento à Igreja Constitucional Francesa) deveriam ser deixadas em seus tabernáculos a serem decompostas, já que nenhum cristão deveria associar-se com essas hóstias trazidas do Alto em oposição a Deus e Sua Igreja. E aquelas hóstias eram transformadas em Nosso Senhor durante uma Missa em que se nomeava a um Santo Padre válido e gloriosamente reinante! 

O mesmo Padre gloriosamente reinante disse o seguinte em sua encíclica condenando a Constituição Civil sobre o Clero: "Devemos nos manter distanciados de todos os intrusos, sejam eles chamados arcebispos, bispos ou párocos; não tenhais comunhão com eles, especialmente no culto divino".


De qual forma cremos que as autoridades da Igreja reagiriam diante de "bem, não haviam outras Missas válidas em nossa área", como o motivo para participar em Missas una cum? Se simplesmente "queres assistir à uma Missa válida, por que não ir aos assim chamados ortodoxos? Muitos deles possuem ordens válidas. A resposta é simples: porque os assim chamados ortodoxos estão levando a cabo uma liturgia em oposição a Deus e Sua Igreja. O mesmo ocorre com as missas una cum.


Na supracitada (e linkada) carta pública de 2002, Monsenhor Pivarunas, defendendo elipticamente o caso de assistir à Missas una cum (ao afirmar que a assistência a tais Missas não se pode proibir, o qual não é o ponto), conclui seus comentários dizendo que se o assunto das Missas una cum fossem um problema de tanta importância, por que então não surgiu antes?


A reposta não é imediatamente óbvia. Quando ocorreu o Vaticano II, explodiu uma espécie de bomba e os clérigos e leigos se encontraram lutando desorientados em meio aos escombros. Uma vez que trataram aos feridos e reestabeleceram uma oblação imaculada do Filho ao Padre, eles ficaram livres para virarem as suas atenções para outras coisas.


O Bispo Donald Sanborn, uma vez um opinionista, escreveu contra o opinionismo. O Padre Anthony Cekada, que antes foi una cum, escreveu contra a Missa una cum. O mesmo Padre Cekada escreveu em defesa de Monsenhor Thuc e da CMRI


Os cristãos se equivocam, e é magnífico quando admitem seus erros e reconhecem o quão verdadeiramente insensatos eles são, que o pó e as cinzas estejam orgulhosos. O clero mencionado admitiu seus erros em certos temas, repudiaram publicamente suas posições anteriores e mudaram. A mesma porta está aberta à CMRI, caso desejem passar por ela e parar de julgar casos conjugais por sua própria autoridade e deixar de dizer às pessoas que elas podem e devem ir para Missas una cum.


Até lá, todavia, os Católicos sérios não podem considerar a CMRI um lugar seguro para se formar apropriadamente na Fé Católica. Os erros de pensamentos que nós mencionamos inevitavelmente levam a erros em outras áreas que nós não mencionamos, e acreditamos que temos a responsabilidade como uma companhia de conteúdo católico tradicional de expor nossas preocupações e as razões por trás delas.


Alguns possivelmente, em privado, discordam das posições da CMRI nas matérias que nós mencionamos e frequentam Missas oferecidas por um sacerdote da CMRI que também discordam privadamente ou, ao menos, não concordam publicamente com elas. Porém, isso não muda o fato que tal sacerdote está associado com uma organização que é negligente quando se trata da questão una cum e permissiva na "concessão" de anulações matrimoniais. Alguém, que assiste as Missas de um sacerdote desse tipo, associa-se com essa organização e com suas posições públicas.


Baseado no que sei, creio que a melhor opção é não se associar à CMRI, e eu busquei alternativas melhores. Apesar de que eu gostaria de desejar o mesmo para os outros e recomendar isso onde for possível, entendo que tais alternativas não são opções para muitos. Até a CMRI não mudar as suas posições nessas matérias importantes, acreditamos que os Católicos devem ser cautelosos ao buscar conselhos morais ou teológicos de seus clérigos que estão em conformidade com essas coisas; e leigos que frequentam as suas capelas deveriam pedir a seus padres que façam o possível para garantir a retificação desses problemas o mais rápido possível, dada a sua seriedade e gravidade. Não se deve mal interpretar que levantamos essas questões preocupantes para também implicar uma falta de reconhecimento ou de consciência de todo bom trabalho que o clero desta organização fez e continua a fazer. 

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